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Megaoperações no RJ expõem ausência de políticas públicas eficazes para prevenção ao tráfico e inclusão de jovens

A mais recente megaoperação policial nas comunidades do Rio de Janeiro reacendeu o debate sobre a ausência de políticas públicas que combatam a raiz da violência urbana: a falta de oportunidades para os jovens das favelas. Enquanto helicópteros sobrevoam comunidades e tropas cercam morros em busca de criminosos, especialistas, moradores e ativistas sociais questionam: onde estão os projetos de prevenção e inclusão?

A realidade nas comunidades cariocas segue marcada por desigualdade, abandono e ausência de serviços públicos. Jovens com potencial para estudar, trabalhar e contribuir com a sociedade muitas vezes veem no tráfico a única alternativa de sobrevivência — não por escolha, mas por falta de opções.

Até o momento, o governo do estado não apresentou nenhum plano social complementar às operações. A segurança pública, mais uma vez, é tratada como sinônimo exclusivo de repressão — sem diálogo, sem prevenção, sem futuro.

Para muitos, a repressão armada sem investimentos sociais é um modelo falido, que apenas enxuga gelo. A ocupação temporária de favelas, como ocorreu durante o programa das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), não veio acompanhada de políticas de cidadania, cursos profissionalizantes, aulas de idiomas, cultura ou incentivo ao esporte. O resultado foi previsível: as comunidades voltaram ao controle do crime, e os jovens continuam sendo alvos fáceis do tráfico.

“Não basta colocar a polícia no morro. É preciso colocar o Estado. É preciso oferecer dignidade, educação, lazer e perspectiva de futuro”, afirma um educador social da Zona Norte.

A ausência de um plano estratégico de prevenção ao tráfico de drogas reflete uma política pública míope, que ignora a importância de atuar na base. Um projeto eficaz, segundo especialistas, incluiria ações permanentes de:
– Formação técnica e profissional;
– Ensino de idiomas;
– Apoio psicológico;
– Acesso à cultura e esporte;
– Melhoria na infraestrutura urbana.

Enquanto isso não acontece, as comunidades continuam sendo tratadas como zonas de guerra, e seus moradores, como invisíveis. “O combate ao tráfico só será eficaz quando o jovem da favela puder sonhar com outro caminho que não seja o fuzil”, resume um líder comunitário.